Única morte possível

Única morte possível

Ela se foi…

Voinha Maria foi levada do único jeito que justificaria sua partida. Era evidente que os olhos, os gestos, o corpo e tudo o mais eram a extensão daquele que não conseguia guardar tanta bondade sozinho.

Eu reconheci nela uma avó, queria aquele amor, aquelas palavras, aquele olhar, afinal o coração dela era muito grande e me acomodaria também, né?

Não, não era. Era pequeno demais para tanta humanidade, por isso transbordava nos olhos, pulsava nas mãos… Os batimentos cardíacos estavam em toda parte, porque voinha era toda coração.

Ainda bem que reconheci na Maria uma avó. Ainda bem que ela me acolheu como neta.
Com ela se foram conversas sem fim, almoços, desabafos, risadas de balançar e é o que ficou comigo também.

Não eram laços sanguíneos, Maria era da família por adoção, porque meu coração pediu.
Não estranho a forma como Deus veio buscá-la, Maria só poderia morrer de infarto do miocárdio, pois tudo nela era coração.

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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