Trégua entre Albert Isaacson e Ibitira

Trégua entre Albert Isaacson e Ibitira

Tomei um baita susto quando me contaram que os moradores de Albert Isaacson foram torcer para o Kosmos, time de Ibitira, na final do campeonato amador da região, contra o União de Martinho Campos. Recordei-me da justificativa para o distrito não ser cidade: um plebiscito no qual os albert-isaquenses se recusaram pertencer à Ibitira. Assim escuto desde que nasci. Fizeram uma votação para emancipar o lugar e os votos contra eram quase todos de lá. Sacanagem, né?

Porém, já aconteceram fatos muito piores, ou melhor, mais tragicômicos que me fazem custar a crer na trégua entre os dois distritos outrora rivais. Foram muitas as brigas em Ibitira e Albert Isaacson quando o povo de um lugar estava no território do outro, principalmente por causa de mulher.

É que nestes vilarejos novidade é o rapaz ou a moça do distrito vizinho. Com o tempo vira rotina também, entretanto ainda é mais novo do que o moço que vimos desde criança, a vida inteira. Daí, prefere-se namorar alguém de fora e isto gera um ciúme danado, suficiente para ser o estopim de um conflito.

Briga com arremesso de melancia

E vou contar a melhor, se eu não tivesse visto nem acreditaria. Uma vez os abert-isaquenses e os ibitirenses se estranharam. O cara da Ibitira, na época, era vendedor de melancia e fez da fruta arma. A ele se juntaram muitos outros companheiros. Eu não vi exatamente na hora da confusão, mas no dia seguinte não se falava em outra coisa na cidade. Fiquei assustada com a quantidade de melancia espalhada no chão, aos pedaços. Durante mais de dez anos pensei que elas já estavam partidas, mas há pouco tempo descobri que não, foram jogadas inteiras e me pergunto como ninguém morreu na batalha de melancias, ou pelo menos se machucou.

Acredito que a intenção era mesmo só afastar os “inimigos”, pois sabe-se lá porque, a briga começou por implicância do povo de Albert Isaacson que ali estava.

albert isaacson

O distrito de Albert Isaacson que, reza a lenda, não deixou Ibitira ser emancipada

Por anos foi assim. Era só olhar que dava choque, feito Pompéu X Abaeté, rivalidade, me informaram, desfeita também. Por isso pra mim é uma novidade das mais inacreditáveis o tratado de paz entre ibitirenses e abert-isaquenses.

Creio que se o plebiscito fosse hoje a maioria iria concordar de pertencer à Ibitira, pois na final do campeonato amador teve briga de novo, mas porque a equipe da Badia foi a vencedora. Eu vi os vídeos e custei a crer, embora para quem tenha visto os destroços das melancias uma briga sem objetos inusitados seja fácil de engolir. Quem diria que um dia os moradores de Albert Isaacson não só fizessem as pazes com os de Ibitira como defenderiam os antigos rivais.

Foto de capa: Ibitira por Wilton Ronald – Blog Abadia em Foco

Observação: O Márcio Teixeira me informou gentilmente que Albert Isaacson é Alberto Isaacson para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais(ALMG), eu conservei o modo de falar de quem vive por aquelas bandas. Aliás, mais ou menos, né? Pra muitos é Bert Zac hehehehehe. Em breve rola até um texto sobre isso, aguardem!

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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Você tem 2 comentários
  1. crus rocha at 16:34

    A rivalidade muitas vezes estão, nas palavras q escrevemos,nas historias q recordamos. No q passamos para nossos filhos. Deveria sim ser recordado coisas boas, e nao essa excitação a violencia, pois são dois distritos, com pessoas maravilhisas.

    • Talita Camargos at 16:41

      Cristiane, concordo com você. Pode ver em todo blog que recordo de coisas e pessoas muito boas, mas o episódio da melancia não deixou nenhum ferido e o tempo mostrou o quanto é melhor ser amigo. Essas coisas, exceções, fazem parte da história também. Respeito sua opinião, porém, que fique claro, como deixei no texto, a rivalidade, graças a Deus, ficou no passado.

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