Razões para fugir de namorados grudentos

É comum querer o outro completamente imerso na nossa vida, pois confundimos ter o par inteiro com tê-lo como companhia para tudo. Só que é impossível dividir o mesmo teto com alguém que pede dedicação exclusiva, como se tivesse passado em um rigoroso processo seletivo e não se casado. É por isso que muitos não suportam a barra de carregar o mundo do outro nas costas e prefere seguir sozinho.

No namoro é até um pouco mais fácil estar todo na vida do par. Por morar em casas separadas e encontrar frequentemente em vez de todo dia, o encontro normalmente acontece quando reserva-se um tempo só para o namorado. Depois de casados isso muda, esbarramos nos mais diversos momentos e situações, nada marcado ou planejado, salvas raras exceções. Assim, o jeito é aprender a respeitar as horas de trabalho levadas para casa, o sono a mais para recuperar o estresse do dia anterior, além de tentar fazer com que a rotina do casal fique menos atribulada. Quando um trabalha demais o tempo dos dois e principalmente a dois fica bem pequeno. Aí não há porque deixar de fazer uma tarefa que era do outro, inicialmente. Os momentos a mais e menos estressantes só vêm assim.

Acho que é por isso que muitos correm dos namorados grudentos. Antes de casar é até possível levar o grude, mas depois fica bem complicado. Eu tenho certeza de que já estaria separada se não pudesse viajar sozinha quando preciso, a trabalho, inclusive, se fosse impedida de trocar a cesta de domingo por horas preciosas para deixar tudo em dia ou simplesmente não tivesse alguns  vales-night assegurados. Mesmo assim, continuo inteira no meu relacionamento, sem estar imersa e nem viver exclusivamente para ele.

Fora que deve ser muito chato ter alguém que vive um mundo só e comum ao meu. Uma pessoa  que tem outras ocupações tende a ser mais interessante, a ensinar mais, acrescentar o que eu não conheço. Daí acho super normal quando o marido sai sozinho ou não pode me acompanhar por ter que fazer algo pouco útil para mim, pelo menos diretamente.

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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Você tem 3 comentários
  1. Walkíria at 21:53

    Achei super importante seu post, muita gente deveria ler. As pessoas confundem casamento com posse. Quando há uma vontade dos dois lados de ficarem juntos o tempo inteiro, é normal, quando se fica por cobranças nunca é, nem será boa relação.
    Sou casada há 23 anos, trabalho junto com meu marido e treinamos na academia juntos. Escolha super saudável dos dois lados. sem cobranças. 😀
    Beijinho <3

  2. Guia da Vaidosa at 12:22

    Adorei a sua perspectiva, Talita! Namorar, morar junto e estar casado são status completamente diferentes, falando de peso moral e de responsabilidades. Eu não sou grudenta e fujo de namorados que sejam! Concordo que o casal precisa de sonhos em comum, mas não todos.
    Beijos querida

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