Casamento: quando o amor basta

Casamento: quando o amor basta

Dona Francisca, senhorinha de 75 anos, era vizinha do namorado, seu Zé, 78 anos, em São Gonçalo. Para trocar uns bons dedos de prosa, beijos e abraços, era só caminhar um pouquinho. Certo dia, a família do Zé decidiu que o levaria para o Lar dos Idosos, em Divinópolis. Zé até que aceitou, com uma condição: se Francisca fosse com ele. E ela foi. Continuou pertinho do amor, bem, mais ou menos – os dois foram colocados em alas separadas. Para que pudessem ficar mais próximos era necessário oficializar a união.

Sim, com quase 80 anos cada um, pouco dinheiro, mas com a única condição para que duas pessoas possam se unir: amor de verdade, desinteressado, desses que nunca foi mostrado nem em filme… Aí tudo se torna possível. O desejo da noiva de casar como manda o figurino, com vestido branco, festa, bouquet, banda. Bastou contar a história dos dois para que gente de vários lugares de Minas quisessem, de certo forma, fazer parte dessa história também. Quando conheci a história, na véspera, ainda faltavam muitos detalhes. Postei no meu Facebook e fiquei impressionada com a quantidade de gente disposta a ajudar. Não fui o elo um desta corrente, soube por um terceiro (desconhecido), que era a Bárbara, minha amiga jornalista que havia começado tudo e era uma das principais organizadoras e mobilizadoras da galera.

Eu não pensei duas vezes em fugir do trabalho para ver de perto o casamento. Arrisco a dizer que foi um dos mais bonitos, se não o mais, que já testemunhei. A noiva, viúva há 15 anos, parecia subir no altar pela primeira vez, para o seu Zé realmente era e, oh, com a primeira e única namorada, com ele há 11 anos. Segundo um dos quatro filhos dela, disse que seu Zé é mais que um pai e faz muito bem para dona Francisca. Basta olhar para os dois para ver que é verdade. A julgar pelo beijão que ela tascou no seu Zé, a essa horas eles devem estar juntinhos, juntinhos, na mesma ala, no mesmo quarto, como sempre estiveram no coração um do outro – grudados! Aliás, se o apelido do casal já era grude em alas separadas, imagine agora.

E este texto continua nas fotos que valem por poesia da Cristiane Silva, uma das voluntárias no casório.

Obs: Hoje foi um dia agitado para o casal, então deixei para conversar com a dona Francisca outro dia. Tirei algumas informações do Portal Centro-Oeste (matéria completa)

 

Escritor por Talita Camargos Veja todos os textos deste autor →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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