A história da cadela que pescava e do galo que nadava

A história da cadela que pescava e do galo que nadava

Quando seu Joaquim resolveu levar a dog alemão para a fazenda em Cláudio, ele mal sabia que começava uma história de amor além da vida. Ela chegou de mansinho, sem nome e depois que ele escolheu a alcunha, o nome dela inspirou o batismo do pesque-pague da família, o Paluza, localizado em Cláudio, interior de Minas Gerais, de tão especial que ela era. É difícil de acreditar, mas Paluza foi uma das primeiras pescadoras do lugar. Sim, a cadela pescava. Pegava os peixes com a boca e não machucava-os. Seu Joaquim, que já ficava abismado com o companheirismo de Paluza, nem sabia o que dizer do talento da cachorrinha.

Fez o que todo pai faz. Lapidou o talento. No início, a pesca era esportiva, ela os devolvia para a lagoa que recebeu 65 mil

cachorro diferente

Paluza, a cadela pescadora com uma tilápia das grandes

alevinos que pouco depois tornaram-se tilápias graúdas. Para profissionalizar Paluza, ele a recompensava com um pedaço de carne quando ela entregava os peixes para ele. Esperta, logo logo seu Joaquim podia ir para cozinha e esperá-la com parte do almoço.

O mais impressionante é que a cachorrinha ganhou um companheiro que gostava demais da água também. Um galo que achava ser marreco. Para ele a explicação é mais simples. A galinha que botou o ovo no qual ele foi gerado, botou no ninho da marreca, que chocou marrecos e pintinhos. Quando nasceram, acharam que a marreca era a mãe deles. Só que apenas o Zoé aprendeu a nadar.

bicho dierente

Olha aí o Zoé, o galo que nadava

 

E tantos bichos diferenciados logo ficaram conhecidos. Primeiro, na pequena Cláudio, depois a cadela e o galo foram parar na TV, no programa da Ana Maria Braga, Faustão e muitos, muitos outros. Nas comitivas para Barretos, Zoé e Paluza também começaram a marcar presença. Seu Joaquim ficou tão entusiasmado com o feito dos animais que deu um tratamento VIP para os dois. Customizou um fusquinha, o qual foi adesivado com várias fotos dos dois. Além disso, ele pegou mais uma parte do Volks e deu mais espaço para eles.

Entre um programa de TV e outro, Paluza deixava herdeiros neste mundo, ao todo foram 62, como conta o seu Joaquim. “Ela era boa parideira, além de tudo. Em uma ninhada, eram 12, 13. Ainda bem, porque todo mundo queria uma Palusinha ou um Palusinho. Até gente famosa, Aécio Neves, Hudson da dupla com o Hedson, e o também sertanejo Giovani e muitas outras pessoas”, conta entusiasmado Joaquim.

Gozado é foi numa cruza que Paluza ficou doente. Ao se encontrar com o pretendente dog alemão, pegou muitos carrapatos e assim que chegou em Cláudio deixou seu Joaquim doido, por causa da febre maculosa. Ele conta que assim que o veterinário contou qual seria a única e arriscada alternativa, ela deu o último suspiro.

Como seu Joaquim eternizou os bichos de estimação

Ver Paluza ir embora era triste. Tanto que seu Joaquim queria garantir que ela ficasse, de certa forma, mais tempo com ele. Não sossegou enquanto não arrumou alguém empalhasse a bichinha. Tão logo descobriu já estava no carro a caminho de Betim para eternizá-la. E hoje, ele ainda quer fazer mais por ela, um museu na lagoa em que ela sempre pescou, flutuante.

E sabe o Zoé? Não virou caldo, morreu de morte morrida e também foi empalhado. Só que com ele aconteceu um acidente. Uma cadela quebrou a cabeça dele e a destruiu. Ainda está quebrada, mas seu Joaquim matou um galo que era a cara do Zoé para poder fazer a reconstituição.

Assim eles ainda vivem, no Fusca, nas estátuas, no coração de seu Joaquim.

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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