É comum querer o outro completamente imerso na nossa vida, pois confundimos ter o par inteiro com tê-lo como companhia para tudo. Só que é impossível dividir o mesmo teto com alguém que pede dedicação exclusiva, como se tivesse passado em um rigoroso processo seletivo e não se casado. É por isso que muitos não suportam a barra de carregar o mundo do outro nas costas e prefere seguir sozinho.
No namoro é até um pouco mais fácil estar todo na vida do par. Por morar em casas separadas e encontrar frequentemente em vez de todo dia, o encontro normalmente acontece quando reserva-se um tempo só para o namorado. Depois de casados isso muda, esbarramos nos mais diversos momentos e situações, nada marcado ou planejado, salvas raras exceções. Assim, o jeito é aprender a respeitar as horas de trabalho levadas para casa, o sono a mais para recuperar o estresse do dia anterior, além de tentar fazer com que a rotina do casal fique menos atribulada. Quando um trabalha demais o tempo dos dois e principalmente a dois fica bem pequeno. Aí não há porque deixar de fazer uma tarefa que era do outro, inicialmente. Os momentos a mais e menos estressantes só vêm assim.
Acho que é por isso que muitos correm dos namorados grudentos. Antes de casar é até possível levar o grude, mas depois fica bem complicado. Eu tenho certeza de que já estaria separada se não pudesse viajar sozinha quando preciso, a trabalho, inclusive, se fosse impedida de trocar a cesta de domingo por horas preciosas para deixar tudo em dia ou simplesmente não tivesse alguns vales-night assegurados. Mesmo assim, continuo inteira no meu relacionamento, sem estar imersa e nem viver exclusivamente para ele.
Fora que deve ser muito chato ter alguém que vive um mundo só e comum ao meu. Uma pessoa que tem outras ocupações tende a ser mais interessante, a ensinar mais, acrescentar o que eu não conheço. Daí acho super normal quando o marido sai sozinho ou não pode me acompanhar por ter que fazer algo pouco útil para mim, pelo menos diretamente.