Eu sei o caminho, mas o desconheço. Ele nunca é, está, pois cada vez que passo por meu caminho da roça me surpreendo. Caprichosa, a natureza tratou de ser uma artista que sempre muda a obra, como se fosse imperfeita. Desconfio que para fazer da vida de quem não pode sair de onde nasceu ou está em uma viagem cheia do sabor que o novo tem. Ou ainda para tornar os passeios aos lugares onde sempre devemos voltar mais bonitos.
Hoje, ao ir para a roça da vó foi assim, era como se eu passasse por uma estrada nova. É um caminho que faço desde que nasci, há 30 anos. Nunca é monótono. Até mesmo da hora que chego até ir embora o quadro muda. São
Nessa mais recente ida ao sítio nem precisei observar tanto, as plantas estão sorridentes depois das chuvas primaveris. Os galhos das árvores na ladeira a caminho do sítio formaram uma alameda florida. Tons rubros do flamboyant alcançaram o amarelho da sempre lustrosa e o verde revigorado.
As alamedas do portão do sítio até a casa ganharam novas cores também. Os numerosos flamboyants, novamente eles, numerosos na primavera do cerrado, abraçaram o jacarandá. Ele, com seu lilás imponente, também formou um tapete, como se fizesse as honras já perto da entrada da casa da vó.
E para completar a beleza do caminho, encontro algo que nunca muda, graças a Deus, minha avó na porta da cozinha com os braços abertos, comida no fogo, uma vontade grande de falar sobre as notícias dos jornais e as novidades da vida. Às vezes causos nem tão novos assim voltam para a conversa. Mas deixo eles serem contados, toda vez que escuto, me emociono ou gargalho como se fosse a primeira vez.
E quando volto para casa (ou saio de casa), já na boca da noite, o caminho já é outro. A lua, cheia, sai por detrás da casa dos passarinhos e dá um banho prata na paisagem. Não enxergo mais o vermelho dos Flamboyants, o lilás dos Jacarandás, miro estrelas, mais brilhantes por ali.