Ver o copo meio vazio também é preciso

Ver o copo meio vazio também é preciso

Ver o copo meio cheio em vez de meio vazio faz parte do meu olhar otimista e das minhas tentativas de ser feliz. No entanto, de uns tempos para cá tenho me perguntado se este preenchimento basta. O copo está meio cheio de quê? Se for só do que restou de mais ou menos em meio a minhas decepções é vantagem? Será que ter um espaço vazio para tentar preenchê-lo com o que sonho não é melhor?

Rejeitar o vazio é normal, é a tendência, mas ele não é tão desprezível assim.

É preciso ter espaço para colocar o que quero. Deixar o copo transbordar é inútil, fica de fora o que eu queria, o que arduamente tentei conquistar, me impede de conseguir tirar proveito. Talvez ter o copo quase cheio é até bom em algumas situações, entretanto para caber algo a mais e melhor é necessário abrir mão para que o líquido não entorne e se perca em meio ao “cheiume”.

do que estou meio cheio copo meio cheio meio vazio

Reflexão necessária: do que o copo está meio cheio?

Há também aquelas bebidas que só fazem bem quando não passam da metade do copo, querer mais é correr o risco de ter dores de cabeça. Já outras podem ocupar um copo inteiro e devem ser tomadas várias vezes ao dia, revigoram, dão fôlego. É questão de análise mesmo saber se o copo meio cheio é bom ou ruim.

Há vazios que são até gostosos. Aquele que dá espaço para não fazer nada, deixar a mente mais quieta depois de muito trabalho. Outros são tão grandes que nada parece caber a não ser os ensinamentos, como o vazio da perda. Porém, é preciso de alguma forma encontrar algo que faça o vazio ser menos cruel. Tarefa difícil, mas possível e reconfortante quando cumprida, aí é que consigo ver o copo meio cheio.

Mas ver o copo meio vazio de vez em quando é bom e até necessário, me move em busca de preenchê-lo com o que realmente faz a diferença. Por isso eu quero copos meio cheios, quase cheios e vazios, cada um com a bebida certa

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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