Não serei uma velha amarga

Não serei uma velha amarga

Acredito que uma velhice boa dependa da bagagem que acumula-se ao longo dos anos. É por isso que muitas jovens dizem – “Não serei uma velha amarga”. Ouvi na semana passada a frase de uma jovem senhora que tomou a decisão mais ou menos com a minha idade. E conseguiu, tomou as rédeas da própria vida, decidiu deixar para trás o que pesava e chegou na idade de curtir os netos com leveza e sabedoria. Tornou-se uma pessoa de companhia agradável, sorriso fácil, prosa boa. O mais importante: bem resolvida com ela mesma.

Eu também disse a frase mentalmente, ou melhor, repeti, quando ouvi esta jovem senhora de alma leve falar. Desde então, tornou-se um mantra.

“Não serei uma velha amarga”

“Não serei uma velha amarga”

“Não serei uma velha amarga”

Repito três vezes este mantra cada vez que me lembro, como os budistas dizem que tem que ser para dar certo. Só que além de mentalizar comecei a pensar na bagagem que tenho carregado. Tive dúvidas do que posso e quero levar comigo, o que deve ser esquecido, o que já cumpriu a missão e o que deve entrar.

Ajeitar essa bagagem exige de mim ser bem sincera comigo. Às vezes é duro me escutar, a minha própria verdade dói. Tanta coisa em que eu acreditava e que parece não valer a pena continuar a carregar mais… Daí me lembro que há ciclos, que estou aqui para evoluir e que talvez pessoas e determinados projetos já tenham cumprido o papel. É um trabalho duro, de jogar verdades na minha cara, mas muito necessário. Isto porque não é apenas para eu não ser uma velha amarga,  é para ser uma jovem mais feliz, que aproveita os agoras.

Esses embates comigo são pesados, mas é pra eu conseguir me livrar do que tornou-se tralha. Pode até ter sido, e foi, muito importante, mas adquiriu o peso da infelicidade na minha bagagem.

 Sem perceber faço as malas diariamente para o resto da vida. A preocupação, na maioria das vezes, é colocar mais elementos, acumular, nunca pensar no que pode ser descartado ou transformado. Mas eu quero uma bagagem leve, daquelas que deixam o viajante confortável para aproveitar o que há no caminho.

 

 

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

Oi, o que achou do texto de hoje?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *