Poesia para levar

Poesia para levar

Nunca me contentei apenas com comida. Para me manter de pé preciso de respirar ares com boa prosa, versos, tintas… E existia uma lanchonete em Divinópolis, quando eu estava no ensino médio, do tamanho da minha fome. Ficava quase de frente a uma livraria, era de um poeta alemão. Além de saborear os brownies, tortas e outras delícias, o cliente se transformava em leitor.

Um cardápio de poesias também estava nas opções da casa, quem gostasse dos versos poderia levar para casa, tal como para viagem. Faminta, eu arrancava os haicais quase sempre, às vezes era impedida pela timidez, pois ia com frequência na lanchonete. No entanto, ainda tenho alguns, eles me alimentam até hoje quando folheio minhas lembranças em agendas antigas.

Quando deixei Divinópolis sempre me lembrava do alemão. Fazia parte da minha rotina passar por lá e quando algo é tirado do dia a dia a dor da falta é certa. Ao voltar, decepção: a lanchonete havia dado lugar a uma loja de roupas, como tantas outras na capital da moda mineira. Nunca mais pude levar poesia para casa, nem saborear tortas temperadas com sotaque alemão.

E hoje uma notícia alimentou-me com um pouquinho do artista que também serve comida. Soube que ele estará na Boutique do Livro, livraria da cidade, a partir de 19h desta quinta-feira, para contar como está a vida e o que fez dela. Na verdade, não sei bem se essa é a programação. Se não for, vou tratar de puxar conversa depois para saber. Quando eu frequentava a lanchonete, o hábito de puxar fios de meadas não fazia parte de mim. Agora, vou perguntar tudo o que sempre quis para ele.

É claro que depois vou contar as respostas aqui, quando o prato tem arte, quanto mais se divide mais gostoso e maior fica.

Enquanto isso, fiquem com os haicais para abrir o apetite.

 

 

 

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

Oi, o que achou do texto de hoje?

Você tem 2 comentários
  1. denise mendes arantes biccalho at 11:12

    Que bacana! Tenho a certeza de que a nossa noite com Dieter Roos ontem, foi, no mínimo, inesquecível! Parabéns por esta iniciativa de escrever, escrever, escrever… é isso aí! Adorei!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *