Luz Santana: a lenda mais verdadeira de Ibitira

Luz Santana: a lenda mais verdadeira de Ibitira

Não há uma pessoa da geração passada ou anterior que negue a existência da Luz Santana em Ibitira, Martinho Campos, Bom Despacho, Pompéu e outras cidades da região. Até meu pai já contou como a luz apareceu  e dele é impossível duvidar, é meu pai e pai não mente. Por isso eu sempre tive vontade de me deparar com ela em uma noite sem lua. Apesar de ter passeado por lugares onde diziam que ela aparecia eu nunca a vi. Esqueci da ideia de encontrá-la, mas quando falaram que a luz indicava onde havia ouro, a busca voltou a reluzir na minha cabeça.

Quem sabe não foi ela que conduziu os bandeirantes à Pitangui? Fazia todo sentido, minha avó contava em tom de certeza que ela iluminava o caminho de quem tinha que passar por estradas escuras, só aparecia em noite sem lua, era proteção. Quer breu maior do que as matas de Minas há séculos? Outros falavam que espantava quem tinha muitos pecados.

Juntei as evidências e comecei a pesquisar como é que a luz era atraída. Falei com quem dizia tê-la visto e com os povos antigos. Uns me disseram que não tinha segredo, era só chamar. Um ancião me falou que tinha que dizer: “Luz Santana, apareça, eu não tenho medo”. Tentei repetidas vezes e nada.

Certo dia, decidi fazer a última tentativa. Era uma noite de julho, fria, daquelas que só a cachaça da Badia é capaz de tornar suportável. Para completar ainda era dia de festa do Retiro, tradicional por reunir as figuras mais marcantes da região em um lugarejo onde o único evento no ano é a festa. Fora isso, vive apenas uma família por lá. Eu e meus primos empolgamos na cachaça, um passo para que nossos desejos mais simples e engraçados sejam confessados. Falei que queria muito ver a luz e achei companhia. Alertei-os de que não conseguiríamos sozinhos, eu já tinha tentado.

Aí perguntamos ao pessoal mais experiente quem a tinha visto. Encontramos uma pessoa que nunca saiu de Ibitira e falou que sabia como chamá-la. Na hora decidimos ir embora para chamar a Luz Santana no meio da plantação de eucalipto. O nosso chamador de luz pegou um fósforo, o acendia e dizia:

— Mãe d’ouro, Mãe d’ouro – outro nome pelo qual a luz é conhecido.

Fomos embora sem vê-la. Não sei se porque nossos pecados pesam pouco ou se por termos proteção (motivos contrários à aparição dela), fato é que a luz não veio.

Livro é baseado na aparição da Luz Santana

Livro é baseado na aparição da Luz Santana

Há ainda outra explicação, um livro sobre a luz diz que ela apareceu até que  um casal, cruelmente assassinado por um coronel, reencarnou para resolver os problemas da vida passada. Segundo o autor, Armando Campos, o casal passou a manifestar-se a partir do plano espiritual por meio de uma luz que visitava os locais onde viveram anteriormente, até que se reencarnaram e cumpriram a promessa de justiçar os seus algozes. Depois disso ela teria parado de aparecer.

Assim, eu não consigo falar o porquê de eu nunca tê-la visto, existir ela existiu, com certeza. Duvido é que meu pai, tios e avós tenham metido para mim. Já da Luz Santana não tem como duvidar.

 

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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Você tem 2 comentários
  1. Fábio at 3:11

    Meus avós são de Pompéu, e eles já me contaram sobre essa Luz Santana. Eles mesmos disseram ter presenciado isso, e eles contam com uma convicção que fica difícil de duvidar. É algo intrigante.

  2. Marlene Machado at 15:15

    Sou da cidade Pompéu-MG, hoje moro em Belo Horizonte, mas quando eu era criança, eu morei na roça, numa região chamada Olhos D´Água do Pau Terra.
    Eu tinha 10 anos, quando vindo da casa de uma amiga, com minhas 2 irmãs e minha mãe, numa estradinha de terra, de repente a Luz Santana apareceu, ao lado da estrada, próxima à uma cerca de arame. Tinham limpado o mato próximo da cerca e ela nos seguiu durante algum tempo.
    Todos ficamos com muito medo e minha mãe não deixava a gente falar alto. Ela tinha uma luz forte e um chiado. Era muito comum meus pais relatarem a aparição dela naquela região. Segundo eles, ela aparecia numa serra longe de um lado, depois em seguida em outra serra região contrária e em seguida aparecia no cerrado bem perto.

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