Litoral norte de São Paulo: ilustre desconhecido

Litoral norte de São Paulo: ilustre desconhecido

Eu provavelmente não escolheria o litoral norte de São Paulo como destino se não tivesse família que mora lá. Apesar da beleza e quantidade de praias, a região é pouco comentada, exceto Ilhabela e Maresias. O mais legal é que dá para conhecer muitos locais (lindos) em poucos dias. Além disso, tem cachoeira, rio, mar, praia e floresta, para todos os gostos.

Tive o privilégio de ficar em uma comunidade com poucas casas no Parque da Serra do Mar, cercada pela Mata Atlântica. Descobri lá que beijinho, uma florzinha linda, é nativa. Vi beija-flores, bananeiras, manacá da serra e uma infinidade de plantas muito bonitas, porém as quais não sei o nome. Outro privilégio – as casas da comunidade são todas lindinhas, coloridas e como atmosfera mais hippie, de quem procura um equilíbrio com a natureza e com o próprio ser humano. A maior desvantagem foram os mosquitos, mas nada que um bom repelente não resolvesse, foi meu creme hidratante nos dias que estive por lá. Outro ponto negativo: chove bastante, já que uma região úmida e quente. Tomei muito mais banho de chuva do que de mar. Nem achei ruim no final, me acostumei. E na floresta os pingos caem com bem menos intensidade.

Em cinco dias conheci praias em Boiçucanga, Camburi, Ilhabela e Maresias. Peguei um dia de sol apenas, por isso não deu para ir em mais lugares. Engraçado é que não curti tanto Maresias, uma das mais badaladas, como eu esperava. No entanto, acho que é porque fui mais atrás de programas do dia e lá é a noite que faz sucesso, tem uma das boates mais famosas do mundo, a Sirena. Eu nunca havia ouvido sobre Camburi e achei o lugar lindo. Os petiscos estavam tão gostosos no Restaurante Pitangueiras, de frente para o mar, que nem almoçamos, repetimos todas as porções pedidas.  Tanto a praia quanto a cidade, há muitas casas bonitas, a rua é limpinha. Tomamos um café delicioso no Barbarelas, onde há variadas opções de doces também.

Ilhabella foi o local que mais gostei. A cidade faz jus ao nome, é encantadora. Muito bem cuidada, é um convite a quem gosta de arquitetura histórica e belezas naturais. Sorte ter ido no único dia ensolarado, curtimos bastante a praia do Perequê e as construções da ilha. Para mim, o Cristo na praça é a obra mais bonita feita pela mão humana, mais precisamente por um artista de lá, Gilmar Pinna. Nas ruas é possível ver outras esculturas dele, todas de metal, eu nunca havia visto neste estilo e só soube que o ilhabelense era ilustre depois que voltei, quando fui pesquisar. O Cristo fica em frente a igreja Matriz, perto de uma praça com pelourinho, da Câmara e cadeia, cenários complementados pelo mar ao fundo. O porto é outro pedaço que comprova o quanto Ilhabela é cercada por beleza de todos os lados, enquadrei com a câmera e olhar ângulos maravilhosos.

Eu queria ter ido em cachoeiras e praias menos conhecidas, como Toque Toque, Santiago, Ilha dos Gatos, mas alguns imprevistos nos fizeram resumir os passos aos locais de mais fácil acesso. Eu não teria dado conta de ver tudo também, lá tem uma praia atrás da outra. É um convite a voltar várias vezes para explorar mais, de preferência quando a previsão do tempo prometer sol. Eu voltarei, muitas e muitas vezes.

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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