Dieter Roos: A vida basta

Dieter Roos: A vida basta

Há quem vê as voltas que o mundo dá e quem dá a volta no/ao mundo e faz a vida girar com mais cor. O artista alemão Dieter Roos deu a volta na Terra, preferiu acompanhar o movimento do mundo, em vez de vê-lo rodar ou pedir para ele parar e descer. E olha que o alemão teve muitos motivos para querer que tudo corresse com mais calma. Mas não!

As poucas linhas aí de cima não falam sobre um sujeito que nasceu em berço de ouro, mas de um homem que se recusava a participar de uma guerra. Primeiro, ele conseguiu se livrar realizando trabalhos para o estado, depois decidiu sair por aí. Atravessou fronteiras em navios, nas corcovas de camelos, carro e principalmente de carona. E foi na Europa, África, Ámerica Latina que a vida aconteceu, com dificuldades, entretanto, Dieter Roos sempre achava um jeito de fazer que tudo desse certo, se transformasse em poesia e pintura.

Eu gosto de todos os versos dele, mas existe um que resume o grande Roos:

alimentação

a única coisa

que se necessita

para viver

é a vida 

Dieter fala sobre fome várias vezes, de ter estocado tâmaras como prevenção e elas acabarem. Contou também que estava com o bolso forrado de moedas, por ter vendido sua arte, mas de não ter nenhum lugar para comprar comida. Uma “riqueza” paradoxal, logo quando as frutas chegaram ao fim.

Certa vez, ele pegou carona para a Bahia e ficou na beira da estrada. Foi procurar comida e o caminhão partiu sem ele com tudo que ele tinha – telas, pertences pessoais, material de trabalho e até o passaporte. Ele só foi reaver tempos depois porque o motorista teve a boa ideia de deixar na embaixada alemã. E esta história de perder tudo aconteceu várias vezes: mochila roubada, quadros que caíram de um caminhão…

Mas nenhuma das perdas era de vida, ele recomeçava, era só ter coragem de levantar algum vintém e comprar tintas, canetas, papéis… As tintas, canetas, papéis logo sustentavam a arte de Dieter e Dieter se sustentava. E foi da arte que ele sustentou uma família de quatro filhos, depois, resolveu sustentar mais gente, com arte também.

Eu mesma fui uma dessas que se alimentou dos versos de Dieter, como contei aqui sem ao menos saber o nome do autor. Eu passava na padaria do filho dele, pedia um brownie e uma torta como acompanhamento para os poemas, deixados sobre a mesa. Sem querer apenas comida, eu começava a alimentação ali e no fim levava os versos para viagem.

A vida de Roos extrapola páginas de trilogias e conseguem ocupar todos os dias deste blog, aqui estão apenas as minhas impressões ao vê-lo contar as histórias dele. E olha, para quem mora em Divinópolis, há rumores de que ele dará este privilégio novamente. Eu divulgarei, porque acho que ninguém pode perder a oportunidade de conhecê-lo.

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

Oi, o que achou do texto de hoje?

Você tem 8 comentários
  1. Eykler at 19:27

    Olá! Bem reflexivo a parte do bolso cheio de moedas, mas sem lugar para comprar comida. De que adianta termos o dinheiro se ele não nos puder dar o que precisamos? Eu não consigo ler um texto e passar imune a ele, sempre tem algo que leva a refletir, e essa das moedas, pelo o que me conheço ficará permeando meus pensamentos por um bom tempo, até eu conseguir extrair dele tudo que pode ser extraído, porque parece uma frase simples, e objetiva, mas não é…………………. Pronto agora ficarei aqui ‘matutando’ o que ando fazendo como o que a vida me proporciona. Será que meu ‘dinheiro’ está sendo bem empregado? Adorei teu blog. bjs
    Eykler
    http://www.amorascompimenta.com

  2. Suzi Gomes at 23:43

    Oi Talita! Não conheço muito sobre Dieter Roos, mas pelo que escreve é um homem sábio. A vida dele é uma verdadeira aventura ne rs Li em algum lugar certa vez uma frase que acho que é dele, pelo menos assim deram os créditos : “Sou um sujeito sujeito a tudo”. Achei impactante apesar de simples… seu texto ficou incrível Talita, obrigada por essas informações, beijos

    http://www.somandoconhecimento.com

  3. Jeeh Sena at 23:15

    Olá ainda não conhecia esse autor, gostei de como falou dele , adoro autores que transmitem a luta pela vida!!!
    Acho que ele transmite algo bem inovador adorei
    beijocas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *