A força do dia a dia

A força do dia a dia

A rotina, tão maltratada, acusada de entediante, salva. Ela grita o tempo todo para levantarmos da cama, fazer o que é o imprescindível apesar de tudo, prosseguir. Quando abandonada com todos os compromissos que ela impõe, deixa a vida ainda mais bagunçada, aumenta a angústia em tempos difíceis, pois quando resolvemos retornar os problemas aumentaram. O pior é que, em geral, a rotina só causa transtornos se deixamos de fazer as tarefas corriqueiras, aquelas que podem ser repetitivas, mas totalmente possíveis, necessárias e, na maioria das vezes, simples.

O abandono das demandas do dia a dia acontece quando no meio da rotina aparece algo muito ruim, triste, inevitável, longe do nosso alcance, ou muito mais difícil do que o normal.  Vem a sensação de impotência. Mesmo que as tarefas possíveis gritem, o desânimo tende a pesar muito e querer fazer com que a gente desista de tudo. No entanto, poder resolver um cem número de coisas também é motivador e alivia o que tem uma solução bem mais complicada. Distrai e prova que somos fortes por conseguir segurar firme no leme mesmo com algo assustador no caminho. É normal, uma hora as coisas vão ficar obscuras por um lado.

Viver não é só ser feliz, ter bons momentos. O que a vida quer é que a gente evolua, independente de quanto de sofrimento e lágrimas possa custar. Alegria também é escola, mas quando ela fica distante o jeito é prosseguir com força, sem fugir. Mas assim como a vida cobra alto preço, ela dá alento de formas bem sutis, na rotina que nos obrigar a levantar. Por ser tão simples e parecer chata, é capaz até de passar sem que vejamos.

Eu encontrei muita força no dia a dia, no que só poderia ser feito por mim quando a tristeza do inevitável me feria. Segui adiante e tenho certeza que a rotina foi uma das grandes responsáveis por eu me sentir menos mal e ver que a vida continuava, que as horas no trabalho ficariam negativas se eu não fosse e todos os meus prazos venceriam. Eu segui e nunca achei tão bom ter uma rotina para me guiar. E é assim sempre que a tristeza vem, faço uma lista de tarefas e vou com ela. No fim do dia normalmente ela ainda está ali, mas um pouco menos dolorida.

 

Written by Talita Camargos View all posts by this author →

Talita Camargos é jornalista e flerta com a literatura, procura inspiração em conversas de ônibus, flores, familiares e amigos. Idealizou o Texto do Dia e publicou nos 365 dias de 2015 neste blog como desafio pessoal.

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